BOCA...

sábado, 9 de abril de 2011.
Mimosa boca errante
à superfície até achar o ponto
em que te apraz colher o fruto em fogo
que não será comido mas fruído
até se lhe esgotar o sumo cálido
e ele deixar-te, ou o deixares, flácido,
mas rorejando a baba de delícias
que fruto e boca se permitem, dádiva.
Boca mimosa e sábia,
impaciente de sugar e clausurar
inteiro, em ti, o talo rígido
mas varado de gozo ao confinar-se
no limitado espaço que ofereces
a seu volume e jato apaixonados
que devagar vais desfolhando a líquida
espuma do prazer em rito mudo,
a boca o próprio fruto, e o fruto a boca.

(D.A)

Comentários:

Postar um comentário

 
. © Copyright 2010 | Design By Gothic Darkness |